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Livro: Uma Janela Para Nove Irmãos

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Conheça a bela e emocionante história de uma família que também faz parte da história de Gramado.

Uma Janela Para Nove Irmãos
O livro Uma Janela Para Nove Irmãos: Emoção e história em Gramado

 

Tão forte quanto minha paixão por Gramado é minha paixão pela História. É algo próprio meu, sou bem nostálgico – já fui mais, mas ainda tenho forte apreço pelo passado.

Adoro conhecer a história de pessoas, lugares, situações, momentos ou objetos que compõem determinados períodos. A História nos torna mais ricos culturalmente. É aprendendo com o passado que criamos um futuro melhor.

E que melhor forma de unir o útil ao agradável do que ler um livro que tem parte da história de Gramado como plano de fundo? Este foi o mote que me atraiu a ler Uma Janela Para Nove Irmãos, da escritora Letícia Dal-Ri.

Antes, devo ressaltar minha aversão a autores brasileiros – chame de preconceito, se quiser, mas raramente leio obras nacionais. Entretanto, o livro vinha sendo bem recomendado há algum tempo pela amiga Sandra Aquino, dona da página Gramado RS Cantos e Encantos no Facebook. E como minha esposa também começou a se interessar, resolvi dar uma chance à obra.

Verdade seja dita, tive que baixar a guarda do meu preconceito. Para se ter uma ideia, minha esposa começou a ler o livro no momento em que ele chegou. E terminou no mesmo dia – ela simplesmente não conseguiu parar.

Mas sobre o que é o livro?

Esta é a história de uma família. Mais precisamente a família da própria autora – apesar dela dizer que o livro é livremente inspirado em alguns fatos, é difícil distinguir realidade de ficção. A história tem início com a vinda dos primeiros colonos alemães e italianos ao Brasil, que aqui chegaram fugindo da guerra e com a esperança de recomeçar uma vida melhor e mais abundante.

Entretanto, quem conhece a História sabe que a vida desses colonos foi tudo menos fácil e abundante. Houve muito trabalho duro, muitos recomeços inesperados, frustrações, dificuldades e desilusões. Claro, também houve bons momentos – quase sempre com a família sendo a peça central – e a gradativa superação, que proporcionou de fato uma vida melhor aos seus descendentes.

Se hoje, ainda que aos trancos e barrancos, em muitas regiões do país (especialmente o Sul), há conforto, fartura e bonança – quase tudo se deve ao esforço e sacrifício daqueles colonos que vieram antes de nós e enfrentaram o desconhecido – seja no comércio, nas plantações ou nas indústrias. É preciso sempre lembrar e honrar nosso passado para garantir um futuro melhor.

Gramado em seu início
Gramado em seu início. Mesmo não se parecendo com a cidade que é hoje, já possuía seu charme e belezas naturais.

E é nesse cenário que Letícia Dal-Ri nos brinda com uma linda (e, por que não dizer, triste também) história de família. Ali, no meio da Serra Gaúcha, em uma cidade que ainda nada se assemelhava à Gramado que conhecemos hoje, acompanhamos a vida de uma família que lutava para formar suas raízes em meio a dificuldades diárias e muitas privações.

É em uma casa, na Avenida Borges de Medeiros, em Gramado, que vemos o desenrolar de praticamente toda história de uma mãe devotada que colocou seus próprios sonhos de lado para cuidar de nove filhos (e hoje, muitos casais não dão conta de um só).

Casa na Av. Borges de Medeiros - Gramado/RS
A casa onde a história do livro se desenrola ainda hoje está de pé, em Gramado, na Av. Borges de Medeiros. Na foto acima, é a casa branca à direita.

Um dos toques geniais do livro é o fato da história ser narrada em primeira pessoa pela própria casa, que evoca suas lembranças de tudo o que presenciou dentro de suas paredes – as risadas, os choros, a fome, as brincadeiras, os castigos… Os leitores mais atentos certamente se identificarão com uma ou mais situações que provavelmente ocorreram também em suas próprias famílias – as ‘histórias do Nono’, da ‘roça’, e por aí vai.

E, apesar de não ser esse o foco principal do livro, acabamos acompanhando o progresso de Gramado e os embriões que a tornariam um dos maiores polos turísticos do País. Vemos o surgimento de alguns festivais, o início de algumas das principais construções e conseguimos apreciar a inigualável beleza natural da cidade.

Festa das Hortênsias em Gramado/RS
No livro, é possível acompanhar o surgimento dos primeiros festivais e construções que acabariam tornando Gramado tão única.

É um livro que recomendo sem cerimônia. Letícia conseguiu derrubar minhas barreiras contra autores nacionais. Impossível chegar à última página sem ao menos esboçar um mínimo de emoção.

E, acima de tudo, é um livro que nos remete à importância da família – entre brigas e pazes, castigos e brincadeiras, distâncias e aproximações, sonhos e realizações… o importante é estarmos sempre ali uns para os outros.

Se você, como eu, ama História e conhece (ou pretende conhecer) Gramado, então Uma Janela Para Nove Irmãos é definitivamente um livro obrigatório em sua estante.

Mais informações sobre o livro Uma Janela Para Nove Irmãos

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Jornalista, escritor e designer. Fundador do LifeBreak, apaixonado por tecnologia e pela Serra Gaúcha. Apreciador de boa gastronomia, bons vinhos e boa conversa. O resto você descobre aqui: www.emiliocalil.com

2 Respostas

  1. Unknown
    | Responder

    Se o livro me emocionou,pois sou uma das personagens da história;você conseguiu me emocionar novamente com esta sua crítica. Fico feliz, pois acho que o passado traz lições.Abraços; Margaret Dal-Ri

  2. Emílio Calil
    | Responder

    Muito obrigado pelo comentário e depoimento, Margaret. É uma verdadeira honra para mim! E isso só reforça minha vontade e paixão de manter este blog. Forte abraço!

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